Novas Pesquisas no Tratamento do Autismo

Novas Pesquisas no Tratamento do Autismo

Esta semana foi divulgado os primeiros resultados de uma pesquisa para o tratamento do autismo.

A pesquisa esta sendo realizada na USP e na Califórnia e utilizaram dentes de leite enviado por pais de autistas através do Projeto Fada do Dente.

Segue abaixo as notícias e informações importantes sobre o tratamento estudado:

SAN DIEGO, EUA – Um novo estudo da Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD), nos EUA, reforça a tese de que o autismo pode ser reversível e se aproxima de um possível medicamento para tratar o transtorno. A pesquisa, publicada nesta terça-feira na revista “Molecular Psychiatry”, foi conduzida pelo biólogo molecular brasileiro Alysson Muotri.

Esta publicação é a segunda etapa de um estudo publicado em 2010 e que, na época, ganhou a capa da “Cell”, uma das principais revistas científicas do mundo, ao mostrar que os neurônios eram mais plásticos do que se pensava e que o autismo poderia ser curado. Na ocasião, através da técnica de reprogramação celular, os pesquisadores transformaram células da pele em neurônios de pessoas com síndrome de Rett, um dos tipos graves de autismo e que ocorre por mutações num único gene: o MeCP2. Dessa forma, poderiam estudar a fundo o comportamento das suas células cerebrais. Depois, aplicaram um medicamento experimental e notaram reversão nos defeitos genéticos.

Neste novo estudo, os cientistas da UCSD focaram no autismo clássico (ou não sindrômico). Ao contrário da síndrome de Rett, o tipo clássico tem vários genes envolvidos e sua base genética ainda é pouco conhecida. Da mesma forma, os pesquisadores transformaram as células da polpa do dente de leite em neurônios de um autista clássico. Em seguida, fizeram o sequenciamento genético do voluntário para mapear seus genes defeituosos.

Várias mutações foram encontradas, entre elas uma que anula uma das cópias do gene TRPC6. Em camundongos, eles confirmaram que essa mutação leva à redução de sinapses e alterações morfológicas nos neurônios. Além disso, observaram que os níveis de MeCP2 (da síndrome de Rett) afetam a expressão de TRPC6, revelando um caminho molecular semelhante nos dois tipos de autismo.

Finalmente, aplicaram um medicamento que está sendo testado em humanos para tratar a síndrome de Rett (o IGF-1) nos neurônios do autista clássico e notaram que o efeito também foi positivo. Isso reforçou a ideia de que é possível reverter os defeitos dos neurônios, ou seja, que o transtorno pode ser curável.

— É possível que, no futuro, esta tecnologia sirva como ferramenta de diagnóstico, determinando qual o tipo de autismo que cada pessoa possa estar vulnerável e possíveis terapias e medicamentos que a auxiliem. Quanto antes o diagnóstico no autismo, melhor o tratamento — afirmou Muotri ao Globo.

Segundo o pesquisador, a combinação de reprogramação celular e sequenciamento genético abrirá portas da medicina personalizada voltada para os transtornos mentais. No futuro, ele afirma que cada autista terá seu genoma sequenciado para o teste de drogas mais adequadas. Esse método já vem sendo bastante empregado no tratamento do câncer.

— Estamos bem no começo (da medicina personalizada) — afirmou Muotri. — É preciso alinhar o sequenciamento genético, que está mais acessível financeiramente, com a modelagem por células-tronco, algo que ainda é muito caro e impossível de fazer para todo mundo. Assim que essas tecnologias evoluírem e ficarem mais baratas, veremos mais e mais da medicina personalizada. Pra mim não tem mais volta, será o futuro em alguns anos. Todos teremos nossos “mini-cérebros” em laboratório que serão usados para diagnóstico, teste e dosagem de medicamentos antes de se tentar no paciente.

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MAIS DE 50 MIL DROGAS EM TESTE

A partir deste estudo, os pesquisadores da UCSD vão buscar expandir essas observações para outros tipos de autismo, tentando entender como diversas mutações convergem para vias moleculares comuns. O objetivo é definir novos medicamentos que possam ser testados em humanos. Sintomas do espectro autista são minimizados com o uso de medicamentos, mas ainda não há uma substância capaz de reverter o transtorno. Segundo Muotri, 55 mil novas drogas serão testadas até o final de 2015.

— Depois entraremos com testes clínicos (em humanos), isso se tudo correr bem e tivermos financiamento para isso, claro — diz Muotri. — Tentamos levar parte disso para o Brasil, buscando deixar o pais mais independentes nessa área, mas não houve interesse político. Esperamos que nos EUA as coisas andem mais rápido e eventualmente sejam aplicadas no Brasil também.

 

http://oglobo.globo.com/sociedade/saude/autismo-poderia-ser-curado-droga-esta-mais-perto-de-virar-realidade-sugere-estudo-14526058

 

Outros Links com reportagens sobre a pesquisa

Hypericum perforatum – Erva de São João

Como esta é a planta utilizada para extrair o princípio ativo utilizado na pesquisa citada acima, segue abaixo informações sobre a planta e seu uso, através de informações da médica pediatra e homeopata Dra. Georgia Fonseca:

https://www.facebook.com/Autismo-e-Homeopatia-226455537389076/

Estudos Sobre o Efeito Clínico de Hypericum perforatum
Dra Geórgia Fonseca
A Erva de São João é amplamente conhecida como um tratamento fitoterápico para a depressão. Em alguns países, como a Alemanha, ela é comumente prescrita para depressão leve a moderada, especialmente em crianças e adolescentes. Especificamente, na Alemanha tem uma organização governamental chamada Comissão E que realiza regularmente estudos rigorosos sobre fitoterapia. Propõe-se que o mecanismo de ação de Hiperico é devido à inibição da recaptação de certos neurotransmissores. Os componentes químicos mais bem estudados da planta são hipericina e pseudohipericina.
Uma análise de vinte e nove ensaios clínicos com mais de cinco mil pacientes foi realizado pela Cochrane Collaboration. A revisão concluiu que os extratos de erva de São João foram superiores ao placebo em pacientes com depressão maior. Erva de São João teve eficácia semelhante aos antidepressivos padrão. A taxa de efeitos colaterais era a metade da existente nos mais recentes antidepressivos ISRS e um quinto da existente nos antidepressivos tricíclicos mais antigos. Um relatório da Cochrane Review afirma.:
A evidência disponível sugere que os extratos de Hypericum testados nos ensaios são superiores ao placebo em pacientes com depressão maior; b) são igualmente eficazes como antidepressivos padrão; e c) têm menos efeitos colaterais do que os antidepressivos padrão.

Um dos principais constituintes químicos, hiperforina, pode ser útil para o tratamento do alcoolismo, apesar da dosagem, segurança e eficácia ainda não terem sido estudadas. A hiperforina também tem apresentado propriedades antibacterianas contra bactérias Gram-positivas, embora a dosagem, segurança e eficácia não tenha sido estudada. A fitoterapia também empregou extratos lipofílicos de erva de São João como um remédio tópico para feridas, escoriações, queimaduras e dores musculares. Os efeitos positivos que têm sido observados são geralmente atribuídos a hiperforina devido aos seus possíveis efeitos anti-bacterianos e anti-inflamatórios. Por esta razão hiperforina pode ser útil no tratamento de feridas infectadas e doenças inflamatórias de pele.
A hipericina e pseudo demonstraram atividades antivirais e antibacterianas. Acredita-se que estas moléculas se ligam de forma não específica às membranas viral e celular, podendo resultar em foto-oxidação dos agentes patogénicos para os destruir.

Uma equipe de investigação da Universidade de Madrid (UCM) publicou um estudo intitulado “Hypericum perforatum. Opção possível contra a doença de Parkinson”, o que sugere que a erva de São João tem ingredientes ativos antioxidantes que podem ajudar a reduzir a degeneração neuronal causada pela doença.
Evidências recentes sugerem que o tratamento diário com erva de São João pode melhorar os sintomas físicos e comportamentais mais comuns associados à síndrome pré-menstrual.
Um estudo demonstrou o efeito do hiperico aliviado deficiências relacionadas com a idade e a memória de longo prazo em ratos.
Os efeitos adversos e interações medicamentosas
O Hipericum é geralmente bem tolerado, com um perfil de efeitos adversos semelhante ao placebo. Os efeitos adversos mais comuns relatados são sintomas gastrointestinais, tonturas, confusão, cansaço e sedação. Ele também diminui os níveis de estrógenos, como o estradiol, acelerando o seu metabolismo, e não deve ser tomado por mulheres em uso de pílulas anticoncepcionais.

Raramente o hipericum pode causar fotossensibilidade. Em relação a isso, estudos recentes concluíram que o extrato reage com a luz, tanto visível e ultravioleta, para produzir radicais livres, moléculas que pode danificar as células dos olhos. Outro estudo constatou que em baixas concentrações, erva de São João inibe a produção de radicais livres em ambos os tecidos celular e vascular, revelando propriedades antioxidantes do composto. O mesmo estudo descobriu atividade pró-oxidante na maior concentração testada.
A Erva de São João é associado com o agravamento da psicose em pessoas que têm esquizofrenia.
Enquanto erva de São João mostra alguma promessa no tratamento de crianças, é aconselhável que ele só é feito com supervisão médica.

Desenvolvendo Hypericum – Interações Medicamentosas
Dra Geórgia Fonseca 

Exemplos de drogas que causam interações clinicamente significativas com a Erva de São João
Drogas:
Inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeos :anti-retrovirais, inibidores da protease
Benzodiazepínicos: Alprazolam, midazolam
A contracepção hormonal combinada: contraceptivos orais
Inibidores da calcineurina imunossupressores: a ciclosporina, tacrolimus
Antiarrítmicos :amiodarona, flecainida, mexiletine
Beta-bloqueadores: metoprolol, carvedilol
Bloqueadores do canal de cálcio: verapamil, diltiazem, anlodipina
As estatinas (colesterol reduzindo-medicação) Lovastatina, sinvastatina, atorvastatina
Outros: Digoxina, metadona, omeprazol, fenobarbital, teofilina, varfarina, levodopa, buprenorfina, irinotecano.
Interações farmacodinâmicas
Em combinação com outros medicamentos que possam elevar 5-HT (serotonina), os níveis no sistema nervoso central (SNC),a erva de São João pode contribuir para a síndrome serotonininérgica, que pode causar risco de vida. Por isso não pode ser usada com antidepressivos.
Drogas que podem contribuir para a síndrome da serotonina com erva de São João:
Os antidepressivos inibidores da MAO, antidepressivos tricíclicos, ISRS, IRSN, mirtazapina
Os opióides Tramadol, petidina (meperidina), Levorfanol
Os estimulantes do Sistema Nervoso Central como fentermina, dietilpropiona, anfetaminas, sibutramina, cocaína
Os agonistas 5-Ht 1 Triptanos
As drogas psicodélicas metilenodioximetanfetamina (MDMA), MDA, 6-APB
Outros: selegilina, triptofano, buspirona, lítio, linezolida, 5-HTP, dextrometorfano

Bioquímica e Toxicidade do Hypericum perforatum
Dra Geórgia Fonseca
Mecanismo de ação
A Erva de São João ( SJW), à semelhança de outros produtos à base de plantas, contém toda uma série de diferentes constituintes químicos que possam ser pertinentes aos seus efeitos terapêuticos. A Hiperforina e a dhiperforina, dois constituintes da SJW, são agonista do receptor TRPC6, consequentemente, eles induzem a inibição não competitiva da recaptação de monoaminas (especificamente, dopamina, norepinefrina e serotonina), GABA, glutamato. Ela inibe a recaptação de neurotransmissores, aumentando a entrada de sódio nas células. Além disso, SJW é conhecida por regular negativamente o receptor adrenérgico β1 e regular positivamente 5-HT1A e 5-HT2A, receptores pós-sinápticos, os quais são um tipo de receptor de serotonina. Outros compostos podem também desempenhar um papel na ação antidepressiva da SJW. Tais compostos incluem: procianidinas oligoméricas, flavonóides quercetina , hipericina e pseudo hipericina.
Nos seres humanos, a hiperforina, seu ingrediente ativo, é um inibidor da recaptação de monoaminas. Ela é também um composto anti-inflamatório potente, com anti-angiogénico, antibiótica, e com propriedades neurotróficas. A Hiperforina também tem um efeito antagonista sobre os receptores NMDA, um tipo de receptor de glutamato. De acordo com um estudo recente, o conteúdo hiperforina correlaciona-se com efeito terapêutico na depressão leve a moderada.

Envenenamento por Erva de São João ( Saint Johns Wort) – Hypericum perforatum

Em grandes doses, erva de São João é venenosa para o gado pastar (bovinos, ovinos, caprinos, equídeos). Os sinais comportamentais de intoxicação são inquietação geral e irritação da pele. Inquietação, esfregar a cabeça e fraqueza ocasional dos membros posteriores com respiração ofegante, confusão e depressão. Mania e hiperatividade também podem surgir, inclusive com o animal correndo em círculos até ao seu esgotamento. Hipersensibilidade à água tem sido observada e também convulsões. Grave irritação da pele é fisicamente aparente, com vermelhidão das áreas não pigmentadas e desprotegidas. Isto leva o animal a coçar e esfregar, seguido de mais inflamação, exsudação e formação de crosta. As lesões e inflamações que ocorrem lembram as condições observadas na febre aftosa. Cavalos podem mostrar sinais de anorexia, depressão (com um estado de coma), pupilas dilatadas, e conjuntiva avermelhada.
Aumento da respiração e da frequência cardíaca é tipicamente observado enquanto um dos primeiros sinais de envenenamento à Erva de São João é um aumento anormal da temperatura corporal. Os animais afetados vão perder peso, ou deixar de ganhar peso; os animais jovens são mais afetados do que os animais de idade. Em casos graves, pode ocorrer a morte, como resultado direto de fome, ou por causa de doença secundária, septicemia ou de lesões de pele infectadas.

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