Dia do Autismo: 2 de Abril

No dia 02/04 comemora-se o Dia do Autismo, criado para que celebrar os portadores desse transtorno do desenvolvimento, e ainda para conscientizar as pessoas a respeito dessa realidade. Para mim, que sou mãe de uma criança com Síndrome de Asperger (que pertence ao espectro autista), este é um dia que deveria deixar de existir. Explico.

No dia em que eu recebi a notícia de que meu filho poderia ser portador de uma condição que o torna diferente das demais crianças, meu mundo balançou e muito. Essa é uma notícia que nenhum pai e nenhum mãe quer receber. E isso vale para o autismo e para tudo aquilo que hoje se convencionou chamar de “especial”.

Nada há de especial em ter que conviver com uma realidade onde aquela criatura que você ama mais que tudo no mundo pode sofrer por não ser como os demais. Ninguém gosta de falar, mas tudo que todo pai e mãe mais desejam é que seu filho ou filha seja aceito ou aceita pela sociedade.

Porem, a realidade sempre se impõe e para nós não existe alternativa senão encarar a situação e buscar o melhor. Entretanto, aquele medo de não ser aceito sempre esta ali, à espreita, e infelizmente não é um medo infundado.

Eu e meu marido entramos nesse mundo de hostilidade a tudo que foge dos padrões “aceitos” da maneira mais crua possível. A notícia de que talvez o nosso filho fosse portador de autismo nos foi dada de maneira indiferente pela coordenadora pedagógica de uma das melhores escolas particulares de Blumenau, e que em tese deveria estar mais do que preparada para dar uma notícia com tal impacto. No fim, tivemos de deixar essa escola, que se diz acolhedora, mas coloca bem claro nas entrelinhas que isso somente é válido para aqueles que se enquadram no quadradinho da perfeição que eles mesmos desenharam.

E infelizmente esse tipo de comportamento costuma ser regra, e não exceção, tanto na rede pública quanto na rede privada. Os administradores dos estabelecimentos educacionais simplesmente não querem ter que lidar com a política inclusiva determinada pela lei. Dá muito trabalho e eles estão sobrecarregados demais (na rede pública), ou mais preocupados em tocar um negócio (na rede privada).

Claro, sempre se pode encontrar bons profissionais e estabelecimentos, que vão alem e buscam incluir de fato essas crianças. Também elogio os profissionais da área da saúde engajados e comprometidos, como fonoaudiólogos, médicos, psicopedagogos, fisioterapeutas, entre outros profissionais. Mas infelizmente eles ainda são minoria.

Todos aqueles que mantem viva a chama do preconceito e da intolerância se esquecem que a alternativa – excluir tudo e todos que não se enquadram no “perfil” – levou no passado às fogueiras da Inquisição e aos campos de concentração nazista. Viver em sociedade é aceitar e conviver com o diferente; lidem com isso.

Por isso, eu sonho com o dia em que não exista mais o Dia do Autismo, e que meu filho ser portador de Síndrome de Asperger vai ser tão relevante quanto a cor dos olhos dele, que por sinal são de um lindo castanho.

Claudia Roveri

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